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sábado, 15 de agosto de 2026

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Contramarca LOUZÃ 1827 numa carta de Penacova de 1830 PT-CC-1830-CBR-LIS-FH

Acervo e Ensaio — Museu de Filatelia Sérgio Pedro: Carta Pré-Filatélica de Penacova para Lisboa sobre...:  
Pormenor do suporte documental mostrando a contramarca "LOUZÃ 1827" em papel verjurado manual utilizado na redação de uma carta pré-filatélica expedida de Penacova para Lisboa em 1830. A marca encontra-se visível em luz transmitida, entre os pontuseus do molde papeleiro, e corresponde a uma identificação nominal associada à tradição papeleira da Lousã. A sobreposição da escrita manuscrita evidencia que a contramarca integra o próprio papel da missiva, constituindo um elemento de autenticação material e cronológica do documento.

No colecionismo documental, a atenção centra-se frequentemente no texto, nos carimbos, nos selos ou nos protagonistas da correspondência. Contudo, por vezes, é o próprio papel que guarda informações fundamentais para a compreensão histórica de uma peça.

Durante o estudo de uma carta manuscrita expedida de Penacova em 21 de julho de 1830, integrada no acervo do Museu de Filatelia Sérgio Pedro, foi realizada uma análise do suporte em luz transmitida. O exame permitiu observar uma contramarca anteriormente não referida na ficha de catalogação publicada no blogue Acervo e Ensaio.

A investigação confirmou a presença da inscrição:

LOUZÃ 1827

Esta marca constitui uma contramarca nominal datada, incorporada no próprio processo de fabrico do papel. A descoberta adquire especial interesse porque permite relacionar o documento com a tradição papeleira da região da Lousã, um dos mais importantes centros de produção de papel em Portugal durante os séculos XVIII e XIX.

A identificação foi reforçada através da comparação com exemplares catalogados por Maria José Ferreira dos Santos na obra Marcas de Água em Papéis Portugueses (2015), onde surge registada uma marca semelhante, LOUZÃ 1824, demonstrando a utilização deste tipo de contramarcas pela indústria papeleira local.

Do ponto de vista histórico, a marca confirma também a coerência cronológica do documento. Um papel fabricado em 1827 poderia perfeitamente permanecer armazenado durante alguns anos antes de ser utilizado na redação da carta, datada de 1830.

Esta observação recorda a importância da análise material dos documentos históricos. Muitas vezes, informações decisivas para o conhecimento da proveniência, da datação e dos circuitos de produção permanecem invisíveis até serem utilizadas técnicas simples de observação, como a luz transmitida.

Mais do que um suporte para a escrita, o papel é também um documento histórico. Neste caso, a descoberta da contramarca LOUZÃ 1827 acrescenta uma nova camada de conhecimento a uma peça já conhecida do acervo, demonstrando que os documentos ainda podem revelar surpresas quase duzentos anos depois da sua criação.