quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Sobrescrito Sabores do Ar e do Fogo (2.º grupo)

Falar de salsicharia tradicional portuguesa é o mesmo que evocar o «senhor porco, mealheiro do pobre e seu professor de anatomia», que é rei desta área de conhecimento – bísaro no Centro e Norte, de raça alentejana no Sul. Da criação esmerada do suíno resultam em esmagadora maioria as maravilhas que a tradição de séculos foi apurando nas nossas aldeias, temperadas pelas agruras da vida (a necessidade de fazer render e de tudo aproveitar), desenvolvidas com imaginação e perícia e finalmente passadas de geração em geração, de avós e mães para netas e filhas. Fazer um levantamento – mesmo que necessariamente limitado – dos produtos de excelência da salsicharia tradicional lusa (fumados ou secos ao ar) é um trabalho desmesurado. Do Minho ao Algarve, passando pelos Açores, são inúmeros os enchidos e presuntos de grande qualidade alguns deles refinados por centenas de anos de prática e todos ligados indelevelmente às tradições do nosso povo. Na escolha dos produtos que originaram estes selos de correio (divididos por duas séries para melhor abarcar matéria tão vasta) fomos assessorados por José Quitério, mestre da crítica gastronómica em Portugal, e por Fátima Moura, escritora e blogger perita nestes temas. O levantamento fotográfico, todo realizado localmente, é de Mário Cerdeira.
Introdução do Editor
O Minho
O Minho é todo ele verde e como dizia Torga, «O verde come o resto do arco-íris… (…) o vinho é verde, o caldo é verde…». E acrescente-se que em Ponte de Lima até a chouriça de cebola é chamada «de verde». Em Melgaço, o porco bísaro desfaz-se em sublimes presuntos, também herdeiros da tradição das zonas montanhosas de Fiães e de Castro Laboreiro, que fazem jus à sua longeva fama.
Chouriça de cebola de Ponte de Lima
Forma: ferradura;
Cor: muito escura, negra;
Ingredientes: sangue, couracha, cebola picada, vinho verde tinto, vinagre de vinho branco, salsa picada, colorau doce e picante, sal e cominhos (opcional); fumada;
Ao corte: massa semi-mole muito ligada pelo sangue com cor muito escura pontilhada pelo acastanhado da couracha; À prova: sabor levemente picante e pouco fumado, sentindo-se a textura da couracha.

Presunto de Melgaço
Origem: porco bísaro ou cruzado com este a 50%;
Forma: comprida e alongada, com courato externo e conservando a extremidade podal;
Ingredientes: pá de porco, sal (azeite e colorau picante, para proteção); salgado e fumado;
Ao corte: vermelha ou rosada e brilhante, com moderada gordura branco-amarelada;
À prova: sabor a fumo muito ligeiro e pouco salgado, com caraterístico travo de acidez; gordura muito saborosa;
Área de transformação: concelho de Melgaço.
Trás-os-Montes
É em Trás-os-Montes que a tradição dos enchidos está mais viva, não só pelo saber-fazer das gentes, mas também pelo papel muito especial que o porco tem na economia desta região. Aqui os enchidos saíram do círculo da sobrevivência e souberam transformarse, através das empresas familiares e da indústria, em produtos que satisfazem de forma soberba o sentido do gosto.
Alheira de Mirandela
Forma: ferradura;
Cor: castanho-alaranjada;
Ingredientes: carnes de porco, aves, caça, vaca, etc., alho, pão, azeite, banha, sal, salsa picada, colorau doce e picante e malagueta; fumada;
Ao corte: pasta não homogénea mais ou menos acastanhada ou amarelada, vendo-se as carnes desfiadas;
À prova: sabor predominantemente aliáceo e textura que alterna entre o macio do pão e a resistência das carnes desfiadas; costuma apresentar fim de boca levemente picante.
Chouriça de carne ou linguiça de Vinhais
Origem: porco bísaro ou cruzado com este a 50%;
Forma: ferradura;
Cor: vermelho escura, pontuada pelo branco da gordura;
Ingredientes: carne (lombo, lombinho, cachaço, entremeada, aparas e gorduras), vinho, água, sal, alho, colorau doce e picante e louro;
Ao corte: axadrezado de vermelho da carne e de branco brilhante da gordura, boa ligação da massa;
À prova: o que ressalta é o característico sabor fumado e avinhado dos enchidos desta região;
Área de transformação: não se limita ao concelho de Vinhais, sendo produzido também em Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Torre de Moncorvo e Vila Flor.
Salpicão de Vinhais IGP
Origem: porco bísaro ou cruzado com este a 50%;
Forma: reta e cilíndrica (tripa grossa);
Cor: vermelho-acastanhada;
Ingredientes: carne do lombo e lombinho, sal, vinho tinto ou branco da região, água, alho, colorau, louro e orégãos (opcional); fumado;
Ao corte: cor avermelhada em vários tons, sendo visíveis as várias peças de carne bem ligadas;
Prova: sabor típico que se poderia definir como «de montanha», uma vez que predomina o aroma do fumo e da madeira, permeado pelo do vinho;
Área de transformação: concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros,n Mirandela, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vinhais.
Moura de Vila Real ou moira da calda quente
Forma: ferradura;
Cor: muito escura, quase preta;
Ingredientes: sangue, carne de porco (barriga, toucinho, cabeça e pá), couratos, pão, alho, louro, nsalsa, sal, vinho da região, colorau, pimenta; fumada;
Ao corte: consistência pastosa e macia do pão permeada pela textura da carne desfiada;
À prova: sabor extremamente suave, devido à ausência dos habituais cominhos e da presença do pão.
Chouriça de carne de Barroso -Montalegre IGP
Origem: porcos registados;
Forma: ferradura;
Cor: de avermelhada a castanha, pontuada pelo branco da gordura;
Ingredientes: carne da pá, músculos do pescoço, eventualmente do lombo e de outras aparas da desmancha, nomeadamente da suã, vinho, maduro tinto e branco, água, alho, sal, colorau doce e picante; fumada;
Ao corte: vermelho da carne e branco brilhante da gordura, boa ligação da massa;
À prova: o que ressalta é o sabor aliáceo e algum fumo;
Área de transformação: concelho de Montalegre.
Presunto de Barroso IGP
Origem: porcos registados;
Forma: aparado com forma arredondada sem chispe;
Ingredientes: pá de porco, sal; salgado e fumado;
Ao corte: cor vermelha da carne, entre o avermelhado e o acastanhado, e branco nacarado da gordura;
À prova: sabor a fumo e textura menos tenra à medida que aumenta o tempo de cura; tendência para ser consumido ainda um pouco verde e cortado em nacos;
Área de produção: concelhos de Boticas, Chaves e Montalegre. Engloba a zona de produção do presunto de Chaves, quase todo originário desta região;
Área de transformação: apenas concelho de Montalegre. Presunto de Vinhais ou Presunto Bísaro de Vinhais IGP
Origem: porco bísaro ou cruzado com este a 50%;
Forma: alongada com a extremidade podal (chispe);
Ingredientes: pá de porco, sal; salgado e fumado;
Ao corte: vários tons de rosa a vermelho, sendo visível a gordura infiltrada;
Prova: sabor a fumo e textura pouco fibrosa; gordura com agradável sabor;
Área de transformação: distrito de Bragança.
Beiras
Beiras Anichada num contraforte da serra da Estrela, a Guarda é a mais alta das cidades portuguesas. Não admira que nesta região muito fria das Beiras, sentinela naturalmente fortificada face à Espanha, se tenha conservado tão vivo o saber-fazer dos enchidos, fumados com as madeiras destas encostas densamente florestadas.
Morcela da Guarda
Forma: ferradura com textura lisa;
Cor: castanha escura;
Ingredientes: sangue e gorduras derretidas de porco, pão, cebola, alho, sal, salsa, picada, colorau e malagueta moída; cozida e levemente fumada;
Ao corte: massa coesa que não se desmancha quando cortada em rodelas;
À prova: ressalta o sabor a cominhos e a textura macia mas firme.
Chouriço de carne da Guarda
Forma: ferradura;
Cor: sangue de boi;
Ingredientes: carnes nobres do porco (à exceção do lombo) alho, sal, colorau doce e malagueta moída,
vinho da região e/ou água; fumado;
Ao corte: castanho avermelhado da carne, massa muito coesa e com pouca gordura, talhadas muito inteiras;
À prova: sabor muito levemente fumado e com um fim de gosto picante, textura ligeiramente dura.
Textos de Fátima Moura
Coordenação de José Quitério

Dados Técnicos / Technical Data

Emissão / issue
2012 / 09 / 25
Selo / stamp
2 x €0,32 - 2 x 235 000
2 x €0,47 - 2 x 145 000
€0,57 - 135 000
2 x €0,68 - 2 x 185 000
€0,80 - 135 000
Bloco / souvenir sheet
Bloco com 3 selos
/ souvenir sheet with 3 stamps
€2,40 - 55 000
Design
AF Atelier
Créditos / credits
Excerto no texto,
Miguel Torga, Portugal, Lisboa,
Publicações Dom Quixote, 7ª ed., 2007.
Fotos / photos
Mário Cerdeira
Capa da pagela / brochure cover
Solar de Calheiros, Ponte de Lima
Agradecimentos / acknowledgments
Fátima Moura, José Quitério,
Herdeira de Miguel Torga,
Sociedade Portuguesa de Autores
Papel / paper
FSC 110 g./m2
Formato / size
selos / stamps: 40 x 30,6 mm
bloco / souvenir sheet: 125 x 95 mm
Picotagem / perforation
Cruz de Cristo / Cross of Christ 13 x 13
Impressão / printing - offset
I mpressor / printer - INCM
Folhas / sheets
Com 50 ex. / with 50 copies
Sobrescritos de 1.º dia / FDC
C5 – G0,75
C6 – G0,56
Pagela / brochure
€0,70

Filatelia - Colecão temática sobre - Barcos (Volume I)


Barcos - Volume I de Jorge Bomba

Stamps Nederland Netherlands Niederlande, Holanda, Pays Bas 1986 Postcode Kersentuin Garden Hotel

https://www.delcampe.net/fr/collections/timbres/pays-bas-1980-beatrix/lettres-documents-1/nederland-netherlands-niederlande-holanda-pays-bas-1986-holidays-vakantie-vacances-postcode-kersentuin-garden-hotel-898434109.html

Sobrescrito circulado em correio normal de Amesterdão (Holanda) a 21/07/1986 no qual foi aposta flamula de Amesterdão com a tarja publicitária "Postcode - Gewoon even doen"

Dimensão: 22 cm x 11 cm

FDC Lisboa - Trajes do Mediterrâneo Euromed Postal - البريد الاورومتوسطيالبريد الاورومتوسطي


Pays / PostePortugal
Date d'émission8 juillet 2019
Thème principalGenre humain (Habits et costumes)
SujetEuroMed Postal - Costumes de la Méditerranée - Algarve
Largeur80.0 mm
Hauteur30.6 mm
Valeur0.53 €
Nombre de timbres dans la série2
Présentation / Mise en pagefeuille de 25
Perforations12.25 x 12
Autorité postale émettriceCTT Correios de Portugal SA
PrinterCartor Security Printing

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Elevadores Públicos de Portugal (FDC Lisboa)


Country / PostPortugal
Date of Issue17 May 2010
Primary themeTransportation (Rail) (Tramways)
SubjectPortuguese Public Elevators
Width30.6 mm
Height80.0 mm
Denomination0.68 €
Number in set8
Layout/Formatsheet of 25
Perforations13 by 13
Stamp issuing authorityCTT Correios de Portugal SA
PrinterCartor Security Printing

Quando, nos anos 80 do século XIX, se descobriu em Braga que era muito mais vantajoso construir elevadores públicos do que andar a gemer com dores nas costas, imediatamente outras localidades de Portugal aceitaram com entusiasmo seguir essa ideia, com natural destaque para Lisboa, capital bem acidentada deste país. Em cerca de 20 anos, construíram-se nada mais nada menos que 14 elevadores e, aproximadamente 20 anos depois, Viana do Castelo inaugurava o último exemplar deste grupo de elevadores históricos de Portugal.
De todos restam apenas oito, entre eles o mais antigo, o primeiro a ser construído, o elevador do Bom Jesus em Braga, pioneiro em Portugal e na Península Ibérica. Obra-prima de arquitectura industrial, ainda hoje se move por acção do contra peso de água, tal como quando foi inaugurado em Março de 1882. Primorosamente conservado, andar nele faz-nos sentir no ano da sua inauguração.
A Braga seguiu-se Lisboa, onde com certeza havia já muita gente farta de tanta colina! A construção do elevador do Lavra, vencendo essa íngreme calçada veio trazer novo ânimo. A partir de Abril de 1884 puderam os Lisboetas sentir-se vaidosos por já terem um elevador, também movido a contra peso de água e que vencia um percurso em curva, coisa considerada impossível até essa data.
E como uma alegria nunca vem só, logo em Outubro de 1885, a calçada da Glória, ganha também o seu elevador. De aspecto imponente, transportava passageiros no interior e no tejadilho, que tinha bancos onde os cavalheiros se sentavam em poses de grande dignidade, cofiando os seus bigodes. É um dos mais utilizados elevadores de Lisboa.
Depois de Lisboa, foi a Nazaré a recorrer ao elevador para solucionar o importante problema da ligação ao Sítio. Inaugurado solenemente em Julho de 1889, foi o primeiro elevador a utilizar o vapor como força motriz. Hoje está modernizado sendo, pela beleza do seu percurso e das suas carruagens, um dos mais bonitos elevadores de Portugal.
O elevador dos Guindais, no Porto, foi um projecto de grande ousadia, devido à inclinação do seu percurso. Utilizando a força do vapor, foi inaugurado em Junho de 1891, mas durou apenas dois anos devido a um grave acidente. Ressuscitado para integração no âmbito da Porto 2001 – Capital da Cultura, é hoje um magnífico elevador verdadeiramente moderno, panorâmico e bonito.
O sexto elevador da nossa lista é, sem dúvida, o mais simpático elevador de Lisboa. Começou a andar no característico bairro da Bica em 1892, por altura dos Santos Populares, utilizando o contra-peso de água durante algum tempo. Pequeno, com chão em degraus, bem cedo começou a fazer disparates, mas sempre se recompôs. Se essa alcunha não tivesse dono, bem se lhe podia chamar “o miúdo da Bica”.
O elevador de Santa Justa, inaugurado em 1902, foi o último elevador a ser construído em Lisboa. As suas cabines deslocam-se na vertical, tendo sido movidas inicialmente pela força do vapor de água. Grandioso, com uma arquitectura magnífica transformou-se num verdadeiro ex-líbris de Lisboa que todos gostam de admirar e utilizar.
O único elevador desta série que ainda não é centenário, mas que para lá caminha alegremente, é o de Santa Luzia em Viana do Castelo. Inaugurado em Junho de 1923, não teve uma vida fácil. Chegou mesmo a pensar-se que acabaria. Mas foi ressuscitado e hoje é um elevador muito bonito e moderno, bem de acordo com a beleza do seu percurso.
Impossível não recordar Raul Mesnier, ligado à construção de todos estes elevadores, exceptuando o último, construído já depois da sua morte.
Importa também lembrar que todos os elevadores de Lisboa pertencem à Carris e os restantes, às respectivas Câmaras Municipais, sendo de realçar todo o trabalho de manutenção e conservação desenvolvido por estas entidades.
Ao emitir esta série magnífica de selos, os CTT estão, com toda a certeza, a dar uma enorme alegria a todos que se interessam por transportes, mas também ao público em geral que fica a conhecer um pouco mais o nosso património.

Jaime Fragoso de Almeida


Dados Técnicos

Obliterações do 1º dia em:
Lisboa / Porto / Funchal / Ponta Delgada


Emissão:
2010 / 05 / 17

Selos:
€ 0,32 – 230 000
€ 0,47 – 220 000
€ 0,57 – 190 000
€ 0,68 – 230 000
€ 0,80 – 220 000
€ 1,00 – 190 000

Bloco:
Com 2 selos
€ 2, 50 – 60 000

Design: Atelier Whitestudio / Eduardo Aires
Papel FSC: 110g / m2
Formato:
Selos: 30,6 x 80 mm
Bloco: 95 x 125 mm
Picotagem:
13 x Cruz de Cristo
Impressão: offset
Impressor:CARTOR

Folhas:
Com 25 ex.

Sobrescritos de 1º dia:
C6 – € 0,55
C5 – € 0,74

Pagela:
€ 0,70
 (CTT, 2010)